Entrevistas

Entrevistas de Bruno Tolentino para a imprensa desde 1994.

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4 pensamentos sobre “Entrevistas

  1. Méritos poéticos à parte é curioso que Tolentino se constituiu na primeira seita de poesia do Brasil. Outros, é permitido gostar ou não gostar, de Tolentino, nos proibem e nos depreciam por não gostar. Ele diz que não entendem o que escreve. A sua saga é clara como água, sua biografia fala mais que a poesia, o tema de conversão ou não é o mais íntimo da humanidade, as questões da reflexão filosófica, de onde viemos, para onde vamos, as visões, as várias religiões, as polêmicas sobre as religiões, as questões que dizem ao íntimo de cada um… Aí vem o guru da seita… e diz que não entendemos… Não é um lugar sério da literatura, é um lugar de crença. E aí acredita quem quiser, ou não puder compreender à sua maneira e precisar de gurus tão duvidosos e insatisfatórios e desagradáveis como Bruno Tolentino.

    “Não, não faço sentido eu sei, mas não importa;
    importa-me é avançar neste meu labirinto
    e tentar alcançar certos passos que sinto
    afastar-se, ou voltar: talvez ali a porta.”

    A Imitação do Amanhecer,

    “O ESFORÇO FABULOSO QUE A ALMA DOENTE FAZ
    PARA TORNAR-SE MÚSICA, É SEMPRE UM EXAGERO”

    (Parte do livro).

    • Carlos,

      “Méritos poéticos à parte” é uma postura que passou da hora de desaparecer em relação à obra do Bruno Tolentino, e a postura que você mostra, ao aceitar esse suposto sectarismo em torno dele, não só acaba incorporando exatamente essa atenção fútil sobre os mexericos da sua biografia e as idiossincrasias da sua personalidade que colocam seus “méritos poéticos à parte”, como é provavelmente uma postura pior do que a de qualquer “discípulo” dele, que ao menos terá um pouco mais de disposição de discutir a sua poesia em si.

      Levantei essas referências sobre ele neste site alheio a esse tipo de sectarismo e justamente porque senti que era necessário termos um painel geral que nos desse condições de avaliar a sua poesia de maneira isenta, que é o que eu continuo disposto a fazer. Não sei nada nem quero saber desse tipo de sectarismo que você descreveu, mas lembro que os arroubos da personalidade do Bruno, especialmente quando voltado a provocar em entrevistas, não garantem nem desqualificam o conteúdo da sua poesia nela mesma.

      Quanto às suas duas citações finais e à sua queixa de um hermetismo da poesia do Bruno, eu o convido a considerar que você está misturando, na primeira citação, uma afirmação pessoal do Tolentino sobre as suas motivações em escrever – o que muitos escritores consideram algo pessoal demais para se dar a explicar ao público (daí o tom condescendente com o leitor dele provavelmente não estar fazendo sentido na sua explicação tão pessoal dada até ali) – com algo totalmente diferente na segunda citação, que são dois versos que falam da dicotomia entre o conceito e a experiência concreta. Ou seja, se você mesmo quiser superar esse ranço biografista que combate, também precisa fazer a sua parte e ler com maturidade.

      • E quem disse que desqualificam o pendor e talento poéticos dele? Quanto às citações, poderiam ser postas centenas de outras, estas vieram por ilustrações. Ele próprio incorporou suas posturas, opiniões, combates e conversões à sua poesia, e se ela se pretende filosófica, como dizem, então são perfeitamente cabíveis essas associações e considerações. Os Sapos de Ontem, por exemplo, mostra como essa postura é indissociável, o livro é dividido entre ataques a autores e poesia satírica de baixa extração…

        Disse que a vida dele é clara como água, no sentido das motivações literárias também, de como a rejeição de certa modernidade na poesia influenciou toda a obra dele, ele está sempre em combate contra o modernismo de 22 e muitas intuições e inovações da modernidade, a ponto de comentários irados sobre outras estações das letras, contestados até por Wilson Martins, que em muito compartilha com uma visão mais tradicional da literatura (e há outros clássicos, Tolentino não inventou o classicismo e a verdade nas letras).

        Não tem nada de ranço biografista, é incrível deduzir isso de um pequeno comentário. E tirar isso, e dedução de “imaturidade” por não comungar com esse tipo de literatura e outras coisas, não passam de exibição conceitual que nada significa. Se comento isso, é com conhecimento e maturidade da obra dele e da literatura, e da filosofia, duas áreas que tenho até meus próprios livros.

        Sobre “Dicotomia entre conceito e experiência concreta”: sugiro a você, se quiser ler você mesmo com maturidade o contexto do qual Tolentino faz parte, é uma inversão que ele faz na poesia dele, e um conceito perfeitamente discutível, aberto, mas que pretendem ver a verdade em Tolentino & companhia. É esse exatamente o ponto, por isso não escolhi um livro em particular, pois tenho toda uma maturação de escrita, pensamento e leitura, e não apenas desse tipo de poesia. Compartilho com outras opiniões, não comungo com esse tipo de discurso. E este ponto, é exatamente o ponto. Por que eu seria imaturo por não concordar com o “superfaturamento crítico” (Wilson Martins) de Tolentino?

        Seria inútil continuarmos, pois entusiastas de Tolentino, costumam tomar essa coisa tão literária e vaga, esse panfletarismo dele, como uma verdade indiscutível e passam a pôr Tolentino e suas poesias-idéias no lugar da realidade, da experiência e tudo o mais. Se quiser prosseguir, você ou qualquer outro, boa sorte, eu já resolvi eu mesmo esse tipo de coisa e conheço esse discurso de cor e salteado. Não troco o mundo real pelo mundo-como-idéia e a imitação/deturpação da realidade, da verdade, da vida, da natureza e do universo, que é a própria obra de Tolentino (embora o gênio poético e a erudição do poeta sejam incontestáveis). E se não há mais brasileiros que se disponham a vir aqui e se dispor discussões inteligentes, sinto muito que fiquem meus comentários. Delete se quiser e não voltarei ao assunto, que pra mim é uma questão resolvida.

      • Carlos,

        Você não entendeu: eu disse que a biografia do poeta não deve garantir nem desgarantir a qualidade da sua poesia (pois independentemente do quanto a vida influencie a poesia, o que importa é obviamente o resultado), por isso sugeri que, ao invés de atentar para o que tais ou tais sectos supostamente exigem em relação ao Tolentino, que obviamente superemos essas fofocas não nos deixando definir por elas, mas que lembremos da prioridade da poesia, que é o que particularmente interessa ao menos a mim.

        Quanto ao ranço biografista, foi ao que eu chamei aquilo que você mesmo criticou, e não a sua própria mensagem. Quis dizer que para superar alguma relação de militância entre os admiradores do Tolentino com a sua própria pessoa, melhor seria ignorar a dinâmica dessa influência e se concentrar na sua própria poesia (que tem assuntos bem mais autossuficientes).

        Por fim, você sugere uma ligação entre vida e obra do poeta, o que, claro, pode nos auxiliar a depreender o sentido da poesia. Mas você sugeriu que a “seita” do Tolentino fecha a sua poesia para aqueles que possam criticá-la decretando que esses não a entenderam, e fez duas citações do próprio Tolentino que simplesmente dizem coisa completamente diferente, como eu observei recuperando os seus contextos. Eu acho que a sua sugestão foi completamente insignificante ao que podemos interpretar da poesia do Tolentino, por isso disse que atentar para esse suposto jogo de influência que você atribui aos tais discípulos do Tolentino e mesmo ao próprio Tolentino é algo imaturo de se fazer com aquilo que a sua própria poesia diz. Você parece insinuar que a própria poesia do Tolentino impõe essa relação sectária com o leitor e cita até mesmo Os Sapos de Ontem como exemplo. Mas eu não vejo como esse livro, por ele mesmo, impõe que ou se goste dele ou se acuse o leitor de não tê-lo entendido. Se, no entanto, o próprio Tolentino insinuou isso é algo que eu desprezo como mero arroubo dele que pouco deve importar para a leitura da poesia. E no mais, de todo modo, como eu disse, as suas duas citações também não comprovaram isso.

        Se você é um leitor experimentado na poesia do Tolentino, eu o encorajo a discuti-la, porque é algo que tem faltado ser feito, e para isso eu mesmo não sou nenhum “discípulo” do Tolentino e desprezo esse tipo de relação com qualquer poeta. Mas sugiro que, ao discutirmos essa poesia, a baixa acusação de um “charminho” feito contra os que têm algo negativo a dizer sobre ela seja confinada aos militantes e fofoqueiros do poeta, e não ao que a sua poesia diz (pois se a sua interpretação da poesia do Tolentino é a de um charmimho contra os que possam desgostar dela, eu só posso duvidar de que você realmente a leu).

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